• Professor Alexander Lima

Investir em educação para a primeira infância é melhor 'estratégia anticrime'... Será?



Os estudos desenvolvidos por James Heckman chegam a duas principais conclusões: 1. Analisar apenas o QI (quociente de inteligência) das pessoas sem olhar para as habilidades sócio emocionais é um erro; 2. O trabalho desenvolvido em seu projeto junto a primeira infância demonstrou que houve um retorno sobre o investimento de 7 a 10% ao ano, com base no aumento da escolaridade e do desempenho profissional, além da redução dos custos com reforço escolar, saúde e gastos do sistema penal.


Veja a entrevista de James Heckman aqui.


O experimento em questão trata-se do Perry Prescholl Project, iniciado em 1962 na cidade de Ypslanti, no Estado de Michigan, onde 123 alunos foram divididos em dois grupos de forma aleatória, um com educação pré-escolar de alta qualidade e outro não. Os resultados do experimento de Heckman foram não só ratificados com uma nova pesquisa, mas demonstrou, também, influência nas gerações subsequentes a do experimento inicial.


Com relação a análise primária, restrita ao QI dos participantes do projeto, logo refutada por Heckman, podemos citar Vygotsky, que apontou divergências no que diz respeito aos testes de inteligência abordarem as zonas de desenvolvimento proximal de modo errado.


Piaget, por sua vez, trabalhava com tais testes, mas a sua atenção era voltada para as linhas de raciocínio das crianças, não para as respostas dadas. Estudando as respostas erradas e os raciocínios que conduziam a elas, Piaget construiu parte de sua teoria. Ao criticarem o modo como era medido a inteligência, o próprio conceito de inteligência contido nestes testes era criticado.


Gardner, entende por inteligência "a capacidade para resolver problemas ou elaborar produtos que sejam valorizados em um ou mais ambientes culturais ou comunitários". A novidade dentro da teoria de Gardner é considerar a inteligência como possuindo múltiplas formas. Estas formas, que na verdade são talentos, capacidades e habilidades mentais; são chamadas de inteligências na teoria das Inteligências Múltiplas.


A análise simplista de indicadores como o QI é refutada quando os resultados do estudo de Heckman apontam que àqueles jovens desenvolveram habilidades de planejamento, de interação e cumprimento de tarefas.


Observou-se, ainda, os indicadores de empregabilidade e participação no crime, e a conclusão foi que o programa foi muito bem-sucedido.


O experimento de Heckman nos leva a refletir sobre o papel da família na formação da criança e a importância desta fase inicial nas etapas seguintes do desenvolvimento. A educação formal e tradicional, por si só seria insuficiente para a construção de habilidades e atitudes para gerar vidas bem-sucedidas.


Observa-se ainda, sob a ótica do estudo de Heckman, que os participantes do experimento, por serem pessoas bem-sucedidas têm estatisticamente uma chance muito menor de ter cometido crimes, valores que foram reproduzidos para seus filhos com os aprendizados da infância.


Assim deve ser a educação: pelo exemplo. Pais equilibrados e resilientes financeiramente geram filhos com habilidades para se superar nos momentos adversos e, com isso, prosperarem.


Conclui-se esta análise com a ratificação dos conceitos sobre inteligência sócio-emocional, da importância do desenvolvimento de competências na formação de jovens e adultos bem-sucedidos.

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