• Professor Alexander Lima

Educação e Autonomia caminham juntos... Será?


Quem tem jovens e adolescentes em casa, na idade das escolhas, deve estar mais confuso que este próprio garoto ou garota na hora de traçar ou orientar quanto ao seu futuro profissional. Certamente o que nos movia como ideal, como carreira militar, um bom emprego em uma grande empresa ou o serviço público (este último tão maculado, contaminado e cada vez mais empobrecido de valores), são opções que não estão no radar do seu jovem em casa.


A resposta talvez esteja em textos não tão modernos quanto a rotina e os hábitos de nossas “crianças”. A Constituição Federal de 1988 afirma, no artigo 205, que a educação deve visar ao “pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”. Já a Lei de Diretrizes e Bases de 1996 (LDB) traz o mesmo texto, acrescentando que a educação deve ser inspirada nos princípios de liberdade e de solidariedade humana, ou seja, não é só “formar” (colocar em uma forma, molde), é preparar para lidar com as pessoas e seu desenvolvimento de maneira criativa e solidária.


Estes documentos legais nos dizem quais são os “goals” e alguns meios para se fazer educação. No entanto, como construí-la com a eficácia aplicada aos dias atuais e com os melhores e mais eficientes recursos? A partir do Paradigma do Desenvolvimento Humano, proposto pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), podemos iniciar a ousada construção de uma educação moderna, realizada de forma atraente. Este paradigma coloca as pessoas no centro dos processos de desenvolvimento e aponta a educação como oportunidade central para que estimulem e aprimorem seus potenciais, preparando-as para fazer escolhas.

O desenvolvimento de um potencial humano crítico e transformador é a pedra fundamental de uma proposta de educação mais abrangente que tenha como objetivo a formação para a autonomia.


A “sociedade do conhecimento e da inovação” exige que seus membros sejam capazes de acessar, selecionar e construir discursos frente a um volume substancial de informações e de conhecimentos disponíveis, interagindo cotidianamente a partir das tecnologias da comunicação e da informação, pensando e agindo de modo crítico diante de questões cada vez mais complexas, elaborando soluções criativas para os problemas e fazendo escolhas consistentes com seus projetos de vida (SEEDUC-RJ).

A geração anterior se preocupava em gerar sua riqueza a partir da geração da riqueza à terceiros, mesmo que isso lhe custasse uma doença ou lhe fosse atribuída uma má qualidade de vida. Empregos estáveis e bem remunerados era o foco, entretanto nossos jovens dos dias atuais estão mais engajados em gerar sua própria riqueza, seu bem-estar com base na construção de uma identidade e de um projeto de vida.


Jaques Delors (UNESCO, 1998) apresentou e organizou 4 saberes essenciais à existência: APRENDER A SER (relacionado à construção da autonomia, o que envolve a capacidade de fazer escolhas bem fundamentadas, demandando um investimento contínuo na construção da identidade e do projeto de vida); APRENDER A CONHECER (que diz respeito à capacidade de aprender a aprender ao longo da vida, numa relação crítica e ativa com o conhecimento); APRENDER A FAZER (que concerne ao preparo para uma vida profissional na economia do conhecimento e da inovação); APRENDER A CONVIVER (ligado à capacidade de relacionar-se de maneira colaborativa nas diversas interações estabelecidas com o outro, a sociedade, a cultura, o ambiente e o planeta).


Não hesite em estimular o seu jovem a pensar fora da caixa, a produzir o que lhe parece inaplicável ou bizarro, ou a propor soluções aparentemente simples para causas complexas. Permita-o construir sua própria trajetória de forma autoral, autônoma e entenda que o papel sobre o qual sua história será escrita não possui a mesma textura e gramatura onde você escreveu a sua. A letra e a caneta também são diferentes!

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