• Professor Alexander Lima

Como não se perder em meio as contas no começo de ano?


A cada início de ano renovam-se as esperanças, as crenças, os desejos de saúde paz e felicidade. Renovam-se também as contas, a matrícula e material escolar, impostos como IPVA e IPTU, e outros compromissos financeiros para os quais devemos estar preparados.

A principal dica para não se perder em meios as contas de início de ano é fazer o bom e velhoplanejamento, que no campo das finanças pessoais chama-se orçamento doméstico.

O orçamento doméstico, ao contrário que muita gente pensa, começa pelo levantamento de nossos ganhos, ou seja, o quanto eu tenho disponível para poder honrar com meus compromissos. A partir do conhecimento do quanto temos disponível é que adequamos os nossos gastos a esse limite.

Como neste período temos gastos atípicos, o importante é estarmos nos preparando gradativamente, ao longo de todo ano, para esses gastos. Se você gastar abaixo do limite do que recebe, sempre terá uma “sobra” que pode ser acumulada para esses momentos e para outros imprevistos.

Mas se você ainda não adquiriu o hábito de se planejar financeiramente ao longo do ano, não se preocupe! Esse é o momento ideal para começar! Projete desde já os gastos de início de ano, veja o quanto irá precisar além do que normalmente gasta, e comece desde já a reservar esse dinheiro. O décimo terceiro salário nos dá um fôlego extra que pode ser aproveitado para essa finalidade.

Lembre-se, é muito melhor fazer essa reserva (inclusive com o décimo terceiro salário) do que fazer empréstimos, usar o cheque especial ou o crédito rotativo de seu cartão.

Qual o principal meio de endividamento das pessoas?

As pessoas que abrem mão do planejamento financeiro ou do orçamento doméstico, normalmente são surpreendidas com imprevistos, como uma manutenção inesperada com o carro, um problema de saúde, um reparo ou obra emergencial em casa, dentre outros eventos que normalmente pegam essas pessoas nos piores momentos. Muitas vezes a saída é um crédito pessoal, um empréstimo, cheque especial ou o cartão de crédito.

Por outro lado, há pessoas que além de não fazerem esse tipo de planejamento, consomem por impulso, colocam o desejo antes da necessidade, optando por itens mais caros e muitas das vezes não prioritários. Neste caso, também, a saída para a satisfação desses desejos são os empréstimos, cheque especial e, também, o cartão de crédito.

Todas essas linhas de crédito são muito fáceis de serem contratadas. Basta um cartão, uma senha e uma motivação, seja esta uma necessidade ou desejo.

Esta facilidade pode ser muito útil em momentos específicos, mas precisa ser apreciada com moderação.

O cartão de crédito, por exemplo, é uma excelente ferramenta, pois nos permite antecipar pagamentos ou concentrar todas nossas obrigações em um único lugar, mas tem uma regra básica que precisa ser cumprida: a fatura precisa ser paga integralmente! O eventual saldo restante está sujeito a juros altíssimos! Se você tem o hábito de pagar apenas parte de sua fatura, estará aplicando juros sobre um saldo que já foi reajustado! A famosa “bola de neve”!

O cheque especial também é outro grande vilão. Trata-se de um crédito pré-aprovado pelo banco com disponibilidade imediata. Muitas pessoas confundem isso como uma extensão do salário e recorrem a esse dispositivo seguidas vezes, e sempre que o salário é creditado na conta, boa parte vai para “tampar o buraco” do cheque especial. Poucas pessoas, no entanto, atentam que sobre o saldo negativo aplica-se, também, juros elevadíssimos, que vão, aos poucos, corroendo nosso salário, mais uma “bola de neve”!

5 dicas para conter esse endividamento?

Dica 1: Faça o controle de suas finanças. Reconheça o quanto efetivamente você ganha (salários, aluguel, pró-labore), enfim, todas as suas rendas, para começar a planejar os seus gastos. Esforce-se para gastar no limite de seus ganhos, nunca ultrapasse essa barreira;

Dica 2: Se você consegue controlar seus gastos, acumule a sobra para algum imprevisto ou para não ser pego de surpresa pelos gastos de início de ano;

Dica 3: Se você usa cartão de crédito, atenção ao limite oferecido pelo banco. Veja se este está de acordo com sua capacidade de pagamento. Deixar de pagar a fatura integral do cartão implica em juros rotativos, o que aumenta a dívida em proporções muito elevadas;

Dica 4: Planeje suas compras com antecedência, evite os impulsos, mesmo as pequenas compras, como no mercado, por exemplo;

Dica 5: Somente assuma compromissos financeiros (prestações, carnês, etc) contando com seus rendimentos certos ou correntes, ou seja, aquele que você tem certeza que receberá (salário fixo, aluguel). Não conte pagar uma dívida, com uma renda eventual.

Dica 6: Planeje sua vida financeira em família, nunca sozinho!